XII Congresso Internacional sobre Culturas - 2026

Disputas pela perspectiva não-binária em espaços públicos digitais: etnografia do Grindr, carreira influencer e infraestruturas de visibilidade no Sul Global

Este trabalho propõe uma etnografia digital sobre as disputas de visibilidade e subjetividade não-binária nos espaços públicos digitais, a partir da experiência nos aplicativos Grindr e X (Twitter). Nascendo da pesquisa desenvolvida no projeto "Influenciador de Verdade", o estudo investiga como as infraestruturas digitais funcionam como novos territórios de travessias culturais, marcados por fronteiras, vigilâncias e assimetrias de poder que modelam o que é amplificado ou silenciado nos corpos dissidentes. A partir da "Antropologia Contra binária", método híbrido que une arte e antropologia, analisa-se o perfil, as escritas, os símbolos e as interações no Grindr como manifestações de um mundo virtual onde comunidades LGBTQIA+ se constituem, resistem e são expostas a traços de transfobia e machismo. O estudo dialoga com o marco regulatório da carreira de influencer e as formações geracionais (Gen Z e Millennials) que moldam experiências digitais no Sul Global, questionando como as plataformas reproduzem hierarquias epistêmicas históricas e como os sujeitos não-binários navegam, subvertem ou reinventam essas lógicas a partir de suas próprias insurgências. Argumenta-se que a etnografia digital é o único modo possível de acessar essa comunidade, constituída exclusivamente no meio virtual, e que o método autorreflexivo permite desnaturalizar as naturalizações de gênero e propor outras epistemologias para compreender a cultura nas redes.


E-mail:

gabre.cultural@gmail.com

Telemóvel (celular):

31981187910

Cidade e país onde reside:

Salvador, Brasil

Instituição onde estuda ou trabalha:

UEG

Titulação ou forma de atuação: Estudante de pós-graduação Modalidade de apresentação da atividade: Online
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Gabrè Moreira

Gabrè Moreira (elu/ela) é pessoa não binária e antropóloga pela UFMG (2025), com formações complementares em Jornalismo, Pedagogia, Gênero e Sexualidade e Teatro. Sua trajetória interdisciplinar articula pesquisa acadêmica, produção cultural urbano-periférica e ativismo em direitos humanos, com foco em diversidade sexual, racial e de gênero.
Como artista e pesquisadore, atua em direção, produção audiovisual, fotografia e performance, tendo dirigido o documentário Seu Toninho (2025) e o miniwebssérie O Mundo Delus (2026), além de integrar equipes de produção cinematográfica e videoclipes. Sua pesquisa de graduação, Fabricar o mundo delus, investigou o Slam Transcestral de Belo Horizonte a partir de uma epistemologia contra-binária, dialogando com artivismo, akuirlombamento e necropolítica — trabalho que rendeu publicação nos Anais da XV Reunião de Antropologia do Mercosul (2025).
Atualmente coordena a comunicação do Grupo Balé Brasil de Danças Populares e Periféricas e desenvolve projetos autorais de circulação territorial e produção cultural pelo coletivo TiêTá no corre e pelo Ponto de Cultura Recriart&Cultura, onde investiga o cinema e as artes como ferramentas interseccionais de contra-hegemonia, memória e reexistência dos corpos dissidentes.