Gabrè Moreira; Artigo ou comunicação livre
Este trabalho propõe uma etnografia digital sobre as disputas de visibilidade e subjetividade não-binária nos espaços públicos digitais, a partir da experiência nos aplicativos Grindr e X (Twitter). Nascendo da pesquisa desenvolvida no projeto "Influenciador de Verdade", o estudo investiga como as infraestruturas digitais funcionam como novos territórios de travessias culturais, marcados por fronteiras, vigilâncias e assimetrias de poder que modelam o que é amplificado ou silenciado nos corpos dissidentes. A partir da "Antropologia Contra binária", método híbrido que une arte e antropologia, analisa-se o perfil, as escritas, os símbolos e as interações no Grindr como manifestações de um mundo virtual onde comunidades LGBTQIA+ se constituem, resistem e são expostas a traços de transfobia e machismo. O estudo dialoga com o marco regulatório da carreira de influencer e as formações geracionais (Gen Z e Millennials) que moldam experiências digitais no Sul Global, questionando como as plataformas reproduzem hierarquias epistêmicas históricas e como os sujeitos não-binários navegam, subvertem ou reinventam essas lógicas a partir de suas próprias insurgências. Argumenta-se que a etnografia digital é o único modo possível de acessar essa comunidade, constituída exclusivamente no meio virtual, e que o método autorreflexivo permite desnaturalizar as naturalizações de gênero e propor outras epistemologias para compreender a cultura nas redes.